segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

aprendiza



Para quem, como eu, tinha a dúvida, fica o esclarecimento: "aprendiza" é mesmo o feminino de "aprendiz".
Por norma, os substantivos masculinos com a terminação -iz não têm outra forma para o feminino. Além desta excepção existem outras, como juiz e petiz, igualmente com feminino em -iza. (fonte: FLiP)

Devo admitir que acho a palavra inestética, mas regras são regras, e confesso que já tinha quebrado esta, ainda que informalmente.

Sempre a aprender, sempre a crescer...

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

Das simbioses e inversões das partilhas

No dia 3 de Fevereiro voltei à Biblioteca Municipal de Alfândega da Fé, desta feita para apresentar o meu livro "Sou, e Sinto" aos alunos do 11º e 12º anos do Agrupamento de Escolas daquela vila. Da experiência ficou-me, especialmente, a noção de que a poesia era ainda estranha em muitos deles, mas já se entranhava em muitos outros. Confesso que experimentei alguma ansiedade por sentir que me entregava à tarefa de cativar aqueles jovens para um possível enamoramento com o ofício poético. E as minhas elevadas expectativas eram, ainda, justificadas pelo facto de saber que todos haviam lido e feito uma breve análise a alguns poemas, e que alguns jovens iriam mesmo ler alguns deles. Seguindo a cadência ditada pelo alinhamento, depois de uma exposição cuidada, que aproveito para agradecer, de um escritor muito mais experiente do que eu, o meu amigo Henrique Pedro, e das minhas próprias palavras - muito breves – propus à tenra plateia das minhas palavras que me questionasse sobre tudo o que lhes suscitasse curiosidade no âmbito desse intenso universo que é a poesia. Essa era, de resto, a minha própria (e simbiótica) curiosidade. Queria, honestamente, que o momento fosse muito mais cheio deles do que de mim. Queria ser eu, egoisticamente, a crescer com eles. E cresci, claro, como cresço sempre que me partilho. É que a matemática da poesia inverte todas as lógicas conhecidas, e a divisão da matéria é sempre a multiplicação das sensações. E cheguei inclusivamente a adicionar-me sentires novos quando ouvi o eco das páginas daquele livro aberto e reaberto a espalhar-se pelo espaço silencioso e disponível pela voz dos jovens leitores das minhas construções, assim reconstruídas. Enfim, foi uma sucessão pouco linear de emoções que me ficará, por certo, na memória. Mas um dos pontos altos dessa sucessão, foi sem dúvida, esta pergunta: de onde me vinham os conhecimento de geologia*! O que me deu oportunidade de esclarecer que um poeta não sabe tudo, mas quando quer comparar os processos da alma com os fenómenos da natureza, investiga - com método e com rigor, como um verdadeiro cientista, aproveito para acrescentar. Por tudo isto, sou muito grata a todos os que contribuíram para a consumação deste momento. ___________________________________________________

*A propósito deste poema:


Fui,

Às tuas mãos,

Jade extraído

Do toque

- Rendido

À força

Das leis

De uma geologia

Maior -


Fui,

Às tuas mãos,

Rocha ígnea

Curada

Na secura

De sedimentações

Antigas

E sábias

- Talvez

Diagénese

De uma lava

Que também fui,

Afinal -


Fui,

Às tuas mãos,

Lume

Cristalizado

No soluto

Dos olhos


- Para ser

Hoje

Ventre

De uma lágrima

Magmatizada

No mapa litológico

Da tua ausência…


Reportagem da Localvisão aqui