quinta-feira, 6 de outubro de 2011

O receio da morte é a fonte da arte


Pensar é estar alguma coisa a mais
pensar é o que sobra da respiração
pensar é o que não nos leva às coisas
pensando se antecipa a própria morte
O receio da morte é a fonte da arte


Excerto do poema "A fonte da arte", de Ruy Belo
in "Despeço-me da Terra da Alegria"



Ruy Belo foi um poeta e ensaísta português, hoje considerado um dos maiores do século XX.
Nasceu em 1933, em S. João da Ribeira (Rio Maior). Licenciado em Direito e em Filologia Românica, viria a  doutorar-se em Direito Canónico.
Sobre a sua obra disse um dia José Tolentino Mendonça,  ter "uma originalidade e um fulgor incontornáveis. É um ponto de luz, um grande momento de transfiguração da língua".
De facto ler Ruy Belo é, também para mim, um momento de transfiguração, pela sabedoria que é a seiva da sua escrita, só por si de uma beleza ímpar.
Impressiona-me especialmente o seu último livro publicado em vida, em 1977, a que chamou "Despeço-me da Terra da Alegria". Um ano mais tarde viria a falecer, com apenas 45 anos, vitimado por um edema pulmonar.
No prefácio da quarta edição desta obra, 22 anos depois,  Eduardo Prado Coelho recorda que "raramente um poeta preparou tão bem a sua morte antecipada como Ruy Belo, com este livro breve, terrível, vertiginoso, aparentemente desesperado, no fim de contas sereno".

2 comentários:

Hugo Nofx disse...

Enooorme Ruy Belo!

Thereza Green disse...

Obrigada pela partilha,abraço poético